Relações etnográficas: interlocuções

#8. Relações etnográficas: interlocuções

Por quem somos recebidas em campo? Como encontramos nossas interlocutoras, nossos interlocutores? Como os reconhecemos? Nesse episódio, falo das relações em campo, contando um pouco sobre as cantadeiras e cantadores que me receberam no Médio Jequitinhonha [31 out, 2021]

Acesse aqui a versão escrita do episódio

E nessa página, você pode conhecer um pouco mais sobre as cantadeiras e cantadores mencionados.

As vozes cantadas no quarteto, com indicação vertical de altura sonora e, horizontal, de tempo. T é o tirador, violeiro, fala a primeira voz; S é relativo à segunda voz; C, ao contrato e R à requinta. O primeiro a iniciar o canto é o tirador, em seguida o segundeiro, depois o contrateiro, e então o requinteiro, o último também a finalizar. A segunda é a voz mais grave. A primeira, do tirador, um pouco menos grave. Então, a do contrato é mais aguda que as anteriores e a requinta, a mais aguda de todas.

Sobre o canto e as vozes no quarteto, me explicou, ainda no começo da pesquisa, o Sr. Bernardo:
A mais grossa é a segunda, a mais média é o contrato, a outra, que é a requinta, que é a mais fina, mais afinada
Valéria: E a voz de quem tira?
Sr. Bernardo: A voz de quem tira é a primeira, que ela é mais suficiente, ela é que marca as outras

E o Sr. Zé Concebido:
O arremate é no requinteiro. É o derradeiro que fica cantando é o requinteiro. O pé pára. Depois o pé começa de novo
Valéria: O pé é quem?
Sr. Zé: É o violeiro. [Sorri]. É o violeiro

Diagrama de parentesco que exibe relações consanguíneas (traços contínuos acima dos nomes), de aliança (traços contínuos abaixo dos nomes) e compadrio (traços espaçados) entre as famílias Rodrigues, Alves e Mota, cujos membros somam o maior número de cantadeiras e cantadores com os quais convivi em campo. Círculos (associados a mulheres) e triângulos (a homens) hachurados referem-se a pessoas já falecidas.